Uma longa noite
Depois de horas de uma noite muito feliz (e bem fria), onde elas vieram exuberantes e duradouras nos arredores de meu abrigo, o que me poupou de sair noite adentro em sua busca, as luzes foram se apagando e o céu se acalmou. Dei aquela clássica esperadinha para ver se não ia ter mais e voltei para o calor do cafofo e para a antepenúltima taça de vinho. Desci do carro e olhei para o céu novamente. Tudo calmo. Nenhum sinal de luzes. Caminhei cerca de 50 metros, abri a porta do abrigo, coloquei mochila e tripé no chão e, antes de acender a luz, fui ao grande vidro no fundo do ambiente, que dá para uma pequena baía escura e puxei a cortina. E lá estava ela de volta. Com fome, meu plano era esquentar e detonar uma sopa deliciosa, mas o dever chamava.
Peguei rapidamente uma mão de frutas secas e amendoim, voltei para fora e então se passaram mais quase duas horas de luzes dançantes. O silêncio quase absoluto só era quebrado eventualmente por breves rajadas enregelantes de vento. O frio não era tão intenso, coisa de -13ºC, mas com o vento… Voltei tarde e exausto, após um dia luminoso de céu azul, muitos cenários e muito volante, dirigindo o dia todo pela ilha em estradinhas estreitas, sinuosas, congeladas e perigosamente escorregadias.
Aurora Boreal nas proximidades de Ham i Senja, Ilha Senja, Troms, Noruega