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Noite fria em Gryllefjord

Noite fria em Gryllefjord

Noite fria em Gryllefjord

Foi uma noite de auroras lentas e sutis. Não se magnificaram, não dançaram e quase não houve movimentação. Já era um pouco tarde, por volta de 2h da manhã e eu estava cansado. Foi um dia longo e bonito e eu dirigi várias horas através de cenários. Não estava tão frio assim, algo em torno de -14ºC com pouco vento, mas frequentemente a sensação de frio se relaciona mais ao cansaço e à má alimentação durante muitas horas de volante, do que propriamente à temperatura. A aurora se apagava e voltava, devagar e sem muita evolução. Eu ficava dentro do carro, cochilava um pouco sentindo mais frio que o normal devido ao cansaço; a cada 15 minutos dava aquela espiada e voltava a dormir – ou saía para fotografar. A câmera ficava lá fora, no tripé, à minha espera. Não achava ruim quando saía do carro e via que nada tinha mudado, assim podia me deitar um pouco mais. A tentação de jogar a toalha e ir para a cama quente só aumentava. Lembrei que estava com fome e me veio à mente a panela de sopa deliciosa e pronta me esperando na cabine. Bastava aquecer.

Não demorou e capitulei. Voltei à cabine quentinha, tirei camadas de roupas, aqueci a sopa e tomei um monte. Bateu aquela saciedade e, naquele conforto, me servi da penúltima taça de vinho. Apaguei a luz, me larguei no sofá e, em total silêncio e na escuridão, fiquei olhando o céu estrelado pelo grande vidro da sala – torcendo para que ela não viesse – senão já sabe, eu teria me vestido e… tudo de novo… Acordei uma ou duas horas depois, com a taça caída da mão, felizmente sobre o tapete. Com algum esforço, me arrastei em direção à cama.

Hamn i Senja, Ilha Senja, Troms, Noruega 

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